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Jão segue o ritual mágico dos popstars na ‘Superturnê’

Mais do que o aparato técnico, a conexão do artista com o público é o mote de show em que cantor se expõe em carne viva ao dar voz às emoções reais das 28 canções do roteiro inteiramente autoral.

Resenha de show (a partir de transmissão ao vivo pelo Globoplay)

Título: Superturnê

Artista: Jão

Local: Allianz Parque (São Paulo, SP)

Data: 21 de janeiro de 2024

 “Eu faço minha parte. Muito bem feita, por sinal. Mas essa magia acontece por causa de vocês”. A fala de Jão no palco do Allianz Parque na noite de domingo, 21 de janeiro, foi mais do que um dos muitos afagos feitos pelo artista no ego do público que lotou o estádio de São Paulo (SP) para assistir à segunda apresentação da Superturnê.

Senha para o entendimento da transformação de Jão no maior popstar brasileiro dos anos 2020, a fala sintetizou a conexão real do paulista João Vitor Romania Balbino com público jovem que se vê retratado em letras de canções que expõem vulnerabilidades, inseguranças, inquietações, enfim, emoções reais e universais.

Combustível que acionou a engrenagem pirotécnica da Superturnê, a obra autoral de Jão pavimentou a rota seguida pelo cantor e compositor ao longo de duas horas de apresentação feita em zona de conforto.

Sim, havia todo um aparato hi-tech na Superturnê para capturar atenções, com direito a dois telões de 30 metros de altura que se transformaram na imagem de arranha-céu durante o canto de A última noite (2019), música do segundo álbum do artista, Anti-herói (2019).

Contudo, no resumo da ópera pop, havia ali no estádio tão somente um cantor de fina estampa cantando músicas que ecoavam nas mentes de jovens que se espelham em versos como os de Imaturo (2018) e que, por isso mesmo, faziam entusiástico e emocionado coro com o ídolo no canto dessas canções.

E, sim, Jão fez muito bem a parte dele, seguindo o ritual mágico dos popstars. “Eu tenho um sonho […] Eu quero tudo”, deu a pista Jão quando entrou em cena ao som de versos de Rádio (2023), uma das 14 músicas do álbum Super (2023), mote do show que estreou debaixo de chuva no sábado, 20 de janeiro, moldado para arenas e estádios.

Jão comanda o público no show da 'Superturnê' no Allianz Parque, em São Paulo (SP) — Foto: Reprodução / Vídeo

Jão comanda o público no show da ‘Superturnê’ no Allianz Parque, em São Paulo (SP) — Foto: Reprodução / Vídeo

Em oito anos de carreira iniciada em 2016, impulsionada em 2018 com o álbum de estreia Lobos e agigantada a partir de 2021 com o disco e show Pirata (2021 / 2022), Jão já conquistou tudo o que um popstar pode almejar à caminho dos 30 anos, a serem festejados em novembro.

O show da Superturnê ostentou o poder do artista e – justiça seja feita – fluiu bem. Pouco importou se nem sempre soaram nítidas as divisões dos blocos do roteiro a partir dos quatro elementos (terra, ar, água e fogo), cada um simbolizando um dos quatro álbuns de estúdio do artista – discos que mostraram a crescente evolução de Jão como compositor e que estão bem representados nas 28 músicas do roteiro.

O que contou, no fim das contas, foi a empatia entre o público e um artista capaz se segurar as atenções quando foi para o piano entoar músicas como a melancólica canção Maria (2023) e a autobiográfica São Paulo, 2015 (2023). Ou quando pegou o violão para cantar a balada Julho (2023) com acento folk.

No posto de comandante da massa, Jão pediu ao público várias vezes para “sair do chão”, aproveitando o forte apelo pop e dançante de músicas como Meninos e meninas (2021), Gameboy (2023), Idiota (2021), Lábia (2023) e o rock Alinhamento milenar (2023), pérola do álbum Super alocada no arremate do show.

Jão canta músicas como 'Lábia' na segunda apresentação do show da 'Superturnê' — Foto: Reprodução / Vídeo

Jão canta músicas como ‘Lábia’ na segunda apresentação do show da ‘Superturnê’ — Foto: Reprodução / Vídeo

O ritual seguido na segunda apresentação da Supertunê incluiu a adição no roteiro de música-surpresa escolhida pelo público – no caso, Barcelona (2019), composta em Portugal para o álbum Anti-herói e revivida na Superturnê com leve evocação do flamenco à moda pop – e convite para a pequena fã Maria Júlia, de cinco anos, subir ao palco.

Em outro momento, Jão recriou cinema do interior para rebobinar Locadora (2023), sedutora canção de tom vintage, pondo em evidência a azeitada banda e as duas vocalistas, presenças importantes na cena.

Álbum afogueado que destilou sensualidade sem abafar a melancolia recorrente no cancioneiro de Jão, Super gerou show azeitado que reproduziu o padrão dos espetáculos moldados para multidões sem anular a personalidade do artista.

Até porque o que fez a diferença – ou seja, a magia alardeada na fala de Jão – foi a real interação do artista com o público através de cancioneiro inteiramente autoral que sempre rejeitou o molde plastificado do universo pop brasileiro para expor um artista de verdade, um ser humano com alma e em carne viva. Essa é a mágica de Jão.

Jão toca piano no show da 'Superturnê' em momento mais íntimo da apresentação que lotou o estádio Allianz Parque — Foto: Reprodução / Vídeo

Jão toca piano no show da ‘Superturnê’ em momento mais íntimo da apresentação que lotou o estádio Allianz Parque — Foto: Reprodução / Vídeo

 Eis as 28 músicas do roteiro seguido por Jão em 21 de janeiro de 2014 na segunda apresentação do show da Superturnê no estádio Allianz Parque, na cidade de São Paulo (SP):

♪ Rádio (Jão, Pedro Tófani e Zebu, 2023) – citação

1. Escorpião (Jão, Pedro Tófani e Zebu, 2023)

2. A rua (Jão, Pedro Tófani, Dan Valbusa, Marcelinho Ferraz e Pedro Dash, 2018)

3. Essa eu fiz pro nosso amor (Jão, Pedro Tófani, Dan Valbusa, Marcelinho Ferraz e Pedro Dash, 2019)

4. Doce (Jão, Pedro Tófani e Zebu, 2021)

5. Imaturo (Jão, Dan Valbusa, Marcelinho Ferraz e Pedro Dash, 2018)

6. Gameboy (Jão, Pedro Tófani e Zebu, 2023)

7. Rádio (Jão, Pedro Tófani e Zebu, 2023)

8. Monstros (Jão e Pedro Tófani, 2018)

9. Vou morrer sozinho (Jão, Pedro Tófani, Dan Valbusa, Marcelinho Ferraz e Pedro Dash, 2018)

10. Sinais (Jão, Pedro Tófani e Zebu, 2023)

11. A última noite (Jão, Pedro Tófani, André Jordão, Dan Valbusa, Marcelinho Ferraz e Pedro Dash, 2019)

12. Acontece (Jão e Pedro Tófani, 2021)

13. Julho (Jão, Pedro Tófani e Zebu, 2023)

14. Santo (Jão, Pedro Tófani e Zebu, 2021)

15. Idiota (Jão, Pedro Tófani e Zebu, 2021)

16. Lábia (Jão, Pedro Tófani e Zebu, 2023)

17. Locadora (Jão, Pedro Tófani e Zebu, 2023)

18. Barcelona (Jão, Pedro Tófani, André Jordão, Dan Valbusa, Marcelinho Ferraz e Pedro Dash, 2019)

19. Meninos e meninas (Jão, 2021)

20. Olhos vermelhos (Jão, 2021)

21. Eu posso ser como você (Jão, Pedro Tófani e Zebu, 2023)

22. Se o problema era você, por que doeu em mim (Jão, Pedro Tófani e Zebu, 2023)

23. Maria (Jão, Pedro Tófani e Zebu, 2023)

24. São Paulo, 2015 (Jão, Pedro Tófani e Zebu, 2023)

25. Pilantra (Jão, Anitta, Pedro Tófani e Zebu, 2023)

26. Me lambe (Jão, Pedro Tófani e Zebu, 2023)

27. Super (Jão, Pedro Tófani e Zebu, 2023)

28. Alinhamento milenar (Jão, Pedro Tófani e Zebu, 2023)

Fonte: G1 Popline

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